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    >>> Domingo 05/09/2010    
Crônicas santistas
Marcela De Genaro*
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Sobre o Autor

* Marcela De Genaro é jornalista e fanática santista. Atuou de 2002 a 2005 no Departamento de Comunicação do Santos FC, depois na Petrobras, onde está até hoje, no Rio de Janeiro.


 
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04/09/2010
Tinhoso!!!

O garoto pinta, borda, e divide opiniões. Já virou lugar comum, mas não dá para negar. Nos pés dele começam as jogadas mais perigosas do Peixe, as simulações de falta mais descaradas, o gol. "Esse moleque é um pesadelo!", está certo, Antônio Lopes. Até mesmo um lençol fora de jogo, ação que gera as expressões entre sorrisos e bicos torcidos, ele ousou. Neymar (foto) comandou o jogo do Santos contra o Avaí. Nem mesmo as faltas violentas sofridas, muitas vezes resultado de perseguição desleal, foram suficientes para mudar o roteiro.

Os primeiros 10 minutos da partida quase valeram pelos 90. A bola ia de pé em pé para o Alvinegro. Nesse período o time contrariou a declaração dada por Júnior, que constatou que sem Robinho, André, Wesley e Ganso o Peixe trocaria a magia pela raça.

Depois desse início empolgante, o time desandou. As notas pularam da pauta. Começou o festival de passes errados, desatenção e ansiedade. Não fossem as tentativas de Neymar, não havia jogada pela esquerda. Pela direita, o Santos marcava de forma violenta. A equipe perdeu o ritmo.

O segundo tempo foi do Avaí. Não fosse uma surpreendente jogada iniciada por... Neymar (mais uma vez o nome dele) que passou a bola na pequena área para... Durval (hein? O zagueiro? Sim! E ele foi muito bem) e finalizada como deveria por Marcel, poderíamos ter perdido pontos importantíssimos. Terminamos a rodada na terceira colocação.

Domingo (5) tem Maracanã sem Neymar. O Flamengo em má fase. Por isso precisando urgentemente da vitória para fugir do rebaixamento. Quem arrisca um palpite?

ASSISTA NA FANÁTICO TV O
"LENÇOL" DE NEYMAR NO MARCINHO GUERREIRO


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20/07/2010
Mas será a jabulani?

Nada disso, parece que faltou calibrar um pouquinho mais os pés, ou então dar um toquinho a menos. Quem foi que benzeu o gramado esse final de semana? Pois tratem de expulsar esse pai/mãe de santo do caldeirão santista!

Parece até que o Santos valorizou demais a criação e que isso era suficiente para mudar o placar. Pronto, bastava chegar com perigo na área que o gol estava feito. Não é assim! O adversário foi aguerrido e tem mérito. A defesa fluminense tem crédito tanto quanto os pecados de finalização santistas.

Criação nunca é demais, a não ser que deixe de ser eficiente para ser bonito demais, demais. Aliás, essa regra só não vale para jogo em que se está ao menos três tentos à frente. Será que fez falta a velocidade do Léo (foto), à esquerda? Sem diminuir o jogador santista, as laterais pareceram bem servidas. Parece até que a bola não entrou por capricho. Ou então que os jogadores estranham a redonda, tal qual ocorreu com sua irmã africana. Ficou o gostinho de quem nadou, nadou e morreu na praia. Já que é para fazer uso do lugar comum, quem não faz, toma. E assim o Santos somou sua segunda derrota no retorno pós Copa do Mundo.

Mas custava entrar ao menos uma bolinha para a equipe alvinegra? Ainda não sei o que ou quem a crônica esportiva vai apontar como Judas, mas, valha, foi jogo bom de ver. O problema é saber que esses boas partidas podem estar com os dias contados. André logo se despedirá assim como Robinho, ambos devem dizer adeus ao Alvinegro Praiano após a Copa do Brasil. A especulação em torno de uma proposta milionária do Chelsea levaria Neymar (foto) da Vila. Ganso teria recusado uma proposta do Lion. Até quando veremos o escrete campeão paulista?


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07/06/2010
Los tres amigos

Os quatro gols marcados pelo Peixe contra o Vasco aqueceram o final de tarde frio de domingo. Neco, André e Ari, uniformizados, eram três entre os 8.500 torcedores que foram à Vila Belmiro.

Descendo as escadas da arquibancada, discutiam entre si. André reclamou: "Venceu, mas não convenceu". Ari, com a camisa colada na região do abdome (barriguinha cultivada há anos, tenham respeito!), retrucou "Quatro gols e você reclamando! És um corneteiro!". Neco, alto e grisalho, é o mais velho. "Ora, sem Neymar (foto) e Arouca não se pode exigir muito. Três pontos são três pontos".

O trio é formado por amigos de longa data. "Peraê, você se esqueceu do Robinho (foto) !", lembrou André. "Ah! Robinho é padrão. Nem precisa dizer, fica subentendido". Desde que o camisa sete santista se apresentou para servir o selecionado nacional o time perdeu sua referência. Capitão é capitão. Ainda com Ganso e Neymar - o foco dos holofotes - em campo, ficou clara a falta que faz o atacante. Robinho não defendeu o Santos FC no Brasileirão. Até agora o time não demonstrou integração na competição. Não teve liga, não decolou. Não lembra o Santos com Robinho do Paulistão. "Que é isso, esqueceu do Paulista? Mal se falava do Robinho. Ele foi quase coadjuvante", se intrometeu Ari, turrão.

Na infância, jogavam bola na Rua Tiradentes. A mesma que desembocaram ao sair do estádio. André gostava de tabelar com a guia e enganar Ari, que ficava parado, esperando a bola. "Incrível que essas casas antigas continuem aqui, não? Parecem até o Ari, não saem do lugar!" Danado da vida com a ousadia do amigo, como na infância, Ari não perdeu tempo. "Há, há, há. Muito engraçado", respondeu, sarcástico. "Fui eu quem mudou o nome para Ailton Lira (foto), mas imitava o Clodoaldo jogando, né? Fora aquele dia que você virou Gilberto Sorriso. Fez até a mamãe comprar uma peruca!". Os três caíram na gargalhada.

"Vamos tomar uma no Bar da Social?", puxou André. "Não vai dar, Dona Miranda me espera com o almoço requentado para a janta!", recusou o mais velho. "Neco, deixa disso, aposto que é o almoço tradicional dominical: nhoque com frango assado! Na janta? Vamos tomar uma gelada e comer um ovo azul!". - "André, só se for verde e amarelo. Com esse intervalo no Brasileiro, só resta a Copa! Pelo menos vamos hibernar esse tempo todo no G4!", concluiu, Neco. O terceiro, turrão, não se conteve: "O que? Ver esse "brasilzinho" do Dunga (foto)? Sem Ganso? Sem Ronaldinho Gaúcho? Chato, quadrado, sem graça? Prefiro torcer pela Argentina! Ao menos são 10 atacantes, não dez volantes! Além disso, dá para rir das maluquices do Maradona". Ari dobrou a esquina com a Princesa Isabel. "Adios, amigos! Hasta el partido con Palmeiras!", despediu-se em portunhol.


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28/05/2010
O Chapeleiro Maluco

Ele brigou com o tempo. É peça fundamental para a solução das encrencas e conduz boa parte do enredo da história, como um maestro. Vive entre seres fantásticos que, como ele, desfazem o previsível em cada lance de magia. Alguma semelhança?

Na noite da última quarta-feira (26), esse personagem carimbou sua relação com o da história do País das Maravilhas, que Lewis Carroll criou em 1865. Paulo Henrique deu dois chapéus no primeiro período. Ok, a atuação do time dos sonhos do Brasileirão 2010 ficou longe das melhores, mas estava lá o Chapeleiro a conduzir a equipe. Diferente da rotina, não foi tão genial, mas continuou fazendo com que as viúvas que choram a sua não convocação para a África persistissem na solidão de sua ausência no escrete que representa a nação.


Paulo Henrique Ganso atacou de
Chapeleiro Maluco no jogo com o Guarani?

A bola, Rainha Branca, rolou quadrada para o Santos.

O Gato Risonho marcara um gol aos dois minutos do primeiro tempo. Depois fez as vezes de Alice. Comeu o bolo e ficou nove metros maior. Não conseguia entrar no jardim onde estavam seus companheiros. O Chapeleiro reclamou, "ele não passa a bola". Ora, nesse capítulo o Gato independente já havia cumprido seu papel. Ele, que aparece e desaparece na hora que bem quer, causava a impressão de ter se desconectado do mundo dos sonhos. Afrontado, saiu da história. Deu lugar a outros personagens não tão badalados no momento, mas indispensáveis. Onde se tem Chapeleiro Maluco e Gato Risonho, coelhos brancos podem parecer não brilhar tanto, mas são fundamentais.


Neymar foi o gato risonho no jogo do Guarani?

No País das Maravilhas, o improvável não pode ser desconsiderado. De André já se esperava, mas a cabeça de Marcel foi surpresa. Nos últimos minutos da partida, o Santos derrubou o competente exército de cartas adversário. Assim foi alimentada a esperança da tríplice coroa para quem torce pelo futebol imprevisível e criativo, tal qual a história de Alice.

Ao Chapeleiro Maluco, resta prosseguir atuando da mesma forma. A Rainha de Copas já havia ordenado: "Cortem-lhe a cabeça!". Apesar disso, ele continua a tomar seu chá, brigado com o tempo, como fez na etapa final da decisão do Paulistão 2010.

Alice? É a torcida, que continua por vezes transportada ao mundo dos sonhos durante as partidas.

ASSISTA OS CHAPÉUS DE GANSO,
O CHAPELEIRO MALUCO, NA FANÁTICO TV


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19/05/2010
Chame Gilmar, Mauro e Calvet!

Mal humorados pela fila que enfrentam para comprar ingressos para Santos x Grêmio, dois sócios, um à beira dos 70 e outro por volta dos 30, aguardam inquietos. Seu Orlando, de camisa de manga curta branca e calça caqui, e Thiago, uniforme listrado do time e jeans, são quase vizinhos de cadeira cativa, mas não costumam conversar nos dias de jogo.

Thiago, encostado em uma parede da Vila, resolve puxar conversa. Ele queria o jornal de esportes que o mais velho folheava."O senhor acha que Felipe (foto), Edu Dracena e Durval estão em má fase?"

Seu Orlando abaixa o jornal e a cabeça, olhando para Thiago por cima dos óculos, e dispara: "Ou seria a liga do time que perdeu um pouco da consistência?". O mais novo aponta o jornal "As manchetes dessa segunda falam da defesa do time, que nos últimos oito jogos levou 20 gols, enquanto o ataque marcou 19".

"Não passa de provocação", retruca Seu Orlando. "Olhe aqui o quadro. A coisa muda se o recorte for de um mês exato: nove jogos, 22 gols pró e 20 contra. Só o Felipe, o Edu e Durval são culpados? Acho que alguma coisa se desligou entre o ataque e a defesa. Todo mundo vai prá frente, mas não volta na hora certa!"

A pergunta do Seu Orlando não esconde a fase de baixa que o time vive. Ele continua: "Meu filho, era natural que, ao encarar outros times de expressão de fora do Estado, os Meninos enfrentassem uma seqüência de dificuldades maior que a do Paulistão. Ainda mais com duas decisões ao mesmo tempo: Paulista e Copa do Brasil."

Thiago dá três passos para frente para acompanhar a fila. "Se for assim, a tendência é que a gente não consiga passar prá final da Copa do Brasil, certo? Então prá que o senhor está comprando ingresso?"

Seu Orlando abre um sorriso: "Olha meu filho, futebol não é matemática. É hora de reagir e tem que ser agora! Caso contrário, a culpa pode acabar nos ombros desse trio, o que é injusto. Convenhamos que eles não jogam sozinhos contra os 11 adversários..." Thiago pega o jornal da mão de Seu Orlando e faz bico, sem discutir.

A atitude não intimida o torcedor que vê o Santos jogar a mais tempo. "Quem acredita nisso deve logo propor a solução: Chamem Gilmar, Mauro e Calvet" (foto).

Os dois finalmente conseguem seu ingresso. Será que dessa vez vão se falar no jogo?


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